Ariccia e o festival da Porchetta

No final de semana passado, de 2 a 4 de setembro, a cidade de Ariccia recebeu o 66º Festival da Porchetta. Evento muito aguardado e que celebra uma das mais apreciadas especialidades da gastronomia italiana.

Como acontece com quase todas as receitas tradicionais da península, o lugar original de elaboração da porchetta é ainda incerto. Os habitantes de Ariccia, cidade próxima a Roma, a reividicam como sua, e fazem isto voltando no tempo. Eles contam que no período pré-romano, nasce na região o hábito de cozinhar esta carne, e também que os Latinos, um dos povos que ali habitava na época, tinham o costume de oferecer carne de porco como agradecimento aos deuses.  Ao longo da história, foi possível desenvolver com maestria a arte no preparo da porchetta, graças aos hábitos da nobreza romana que se transferia e residia por longos períodos em Ariccia, organizando caçadas e fugindo das altas temperaturas do verão. Os ariccini contam ainda com um argumento a mais a seu favor, desde 14 de junho de 2011, La Porchetta di Ariccia, obteve da União Européia, o reconhecimento de produto de Indicação Geográfica Protegida (IGP).

A cidade de Norcia na Umbria afirma que a receita nasceu por lá, já que é famosa desde os tempos do Império Romano pela criação de porcos, e de seu nome deriva o substantivo italiano, norcino, usado somente para nomear os açougueiros que trabalham a carne suína. De versão em versão, varias outras regiões, seguem chamando de sua, esta receita.

O que podemos afirmar sem medo de errar, é que a porchetta é um prato clássico da tradição italiana. Esta arte, passada de pai para filho, é ainda hoje fortíssima no território de Castelli Romani, e em particular nas cidades de Ariccia, Frascatti, Cecchina e Marino. Em tabernas tradicionais, características do local, chamadas de “fraschetta”, podemos saboreá-la, acompanhada de batatas ao forno ou legumes e uma bela taça de um dos deliciosos vinhos produzidos nesta charmosa região. Também existem os quiosques tradicionais no meio das praças, onde se come a porchetta como comida de rua, em um delicioso panino feito com pão ciabata. Os quiosques espalham os aromas de ervas por toda a cidade, o cheiro de alecrim chega a impregnar em nossa memória e nos remete a tempos antigos de uma história que não vivemos, mas que vive em nós.

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Durante o festival, estão presentes, além dos milhares de visitantes de toda a Itália, espetáculos para crianças, artistas de rua, barracas com artesanato local, ótima música e muito divertimento, tendo sempre ao centro, a rainha da festa, La Porchetta.

La Sagra se encerra na praça principal de Ariccia, com o tradicional lançamento “dei panini” dos carros e uma grande queima de fogos. Uma oportunidade de descobrir, em um borgo encantado, o gosto genuíno de uma especialidade que conseguiu ultrapassar os limites geográficos, vencer o tempo, e alcançar mesas de renomados restaurantes internacionais.

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Come si fa?

O leitão é limpo, utiliza-se a sua lateral (lombo + barriga + pele) desossada e todos os temperos como alecrim, sal, pimenta e alho são colocados em seu interior, às vezes utiliza-se amêndoas. A carne é então, enrolada e colocada em um espeto que vai ao fogo a lenha por até 6 horas. O interior tenro e sua casquinha crocante, além do cheiro irresistível das ervas utilizadas em seu cozimento, são características que distinguem o produto.

 

 

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