Piazza Navona, I Pizzicarolli e outras histórias.

Estamos de volta!!!

Nestas últimas semanas estivemos ausentes porque estávamos pesquisando e experimentando lugares e coisas novas para trazer para vocês. É, estávamos na Itália! Daí pode surgir a pergunta: por que não escrevemos enquanto viajávamos?!  Ahh….os próximos posts irão contar os porquês! E assim, já deixamos a primeira dica de viagem: não leve seu Laptop ou seu tablet se quiser mesmo aproveitar o que o bel paese tem a oferecer. Uma boa câmera sim, será ótima companhia!

Nós, paulistanas e atarefadas, levamos, cada uma seu tablet, com a sincera intenção de trabalhar. Mas tudo o que conseguimos foi um peso a mais em nossas bolsas. Nossos dias eram tão repletos de atividades que chegavam ao fim por limite físico de horas e não porque a programação tinha acabava. Ao contrário, íamos dormir exaustas e ansiosas pelo próximo dia (gelado) repleto de explorações, sensações e boas surpresas.

E num destes dias, fomos visitar o Stadio di Domiziano, uma área arqueológica, patrimônio da Unesco, localizado a cerca de 4,5 metros abaixo da Piazza Navona. Praça que abriga nossa embaixada. São duas visitas em uma. Em uma, a belíssima praça, suas fontes e esculturas de Bernini, e na outra o museu, que abriga os restos do antigo estádio construído pelo imperador Domiziano (51 a.C – 96 d.C), que deixou muitos traços de seu empenho administrativo, enfeitando a cidade com monumentos e construindo estruturas destinadas ao espetáculo. Além do antigo estádio, completou a construção do Coliseu e do complexo das Termas Imperiais, entre tantas outras obras.

O museu oferece uma volta ao passado. O estádio foi construído para levar à Roma os jogos olímpicos gregos, muito apreciados pelo imperador que, como alguns de seus antecessores, sabia da importância política de distrair e divertir seu povo. A estrutura era principalmente destinada as competições de atletismo, o que o diferenciava de outros estádios do período romano, que costumavam abrigar esportes, competições e exibições mais violentos.

Avançando muitos séculos no tempo, passamos a segunda parte do passeio, a Piazza Navona, uma das mais conhecidas praças de Roma que ao longo dos séculos foi se modificando conforme os costumes, a cultura e a paisagem urbana também se transformavam. Seu aspecto atual deve-se às intervenções e construções da famosa  família Pamphili, em especial do grande trabalho de reconstrução requerido pelo papa Innocenzo X Pamphili, que entre os anos de 1644 -1655 decide transformar este espaço num símbolo de grandeza da sua família. O lugar onde todos possam ver seu poder e superioridade.

Sua forma preserva aquela do antigo estádio. A praça é um símbolo da Roma barroca, com elementos arquitetônicos de grandes artistas, tais como:  Gian Lorenzo Bernini e sua Fonte dos quatro Rios ao centro, que representa o Danubio, o Ganjes, o Nilo e o Rio da Prata, os quatro cantos da terra. A igreja de Sant’Agnese, projetada por Francesco Borromini e Girolamo Rainaldi, dedicada a Santa Inês, uma menina que teria morrido no estádio de Domiziano. E os afrescos di Pietro Cortona que adornam a galeria do Palazzo Pamphili.

Depois de horas caminhando e explorando a Roma antiga, cultural e bela, chega a terceira e necessária etapa do passeio. O almoço.

Há muito tempo aprendemos a lição de não sentarmos, mesmo com muita fome, nos restaurantes e bares mais próximos das áreas turísticas. Sempre caminhamos uma ou duas ruas e nos afastamos dos cardápios multilíngues, dos restaurantes com seus garçons caçadores de turistas na porta e seus pratos congelados. Neste dia, caminhamos duas ruas para dentro e já fomos surpreendidas por uma atmosfera diferente. Na Via Della Fossa, uma rua calma, estreita, nos deparamos com I Pizzicaroli, um pequeno restaurante que tem em seu nome a explicação dos seus produtos. Os pizzicarolli são aqueles que trabalham com salames e queijos e ganharam este nome devido as pimentas presentes nos salames e que fazem pizzicare (arder) a língua quando comemos. Chegamos ao paraíso!

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Um restaurante pequeno e aconchegante, com pessoal acolhedor e simpático, dispostos a explicar cada um dos diversos e apetitosos itens da sua vitrine repleta de produtos (cose buone!!) provenientes de pequenos produtores das regiões da Umbria e Abruzzo. No início nos sentimos perdidas, deliciosamente perdidas. Eram tantas as opções de queijos, presuntos, salames e vinhos. Eles montam tábuas de frios, que em italiano recebem o nome de taglieri (talheri), onde podemos escolher uma diversidade de queijos e embutidos e incrementar com mais algumas das iguarias preparadas pela casa. Para a nossa escolhemos pecorino clássico, pecorino trufato (com tartufo), caciofiore aquilano (queijo dos antigos romanos), caciottina mucca (queijo de leite de vaca), mortadela com pistache, presunto cru, bruschettas e porchetta, e para acompanhar, vinho e boa conversa. Foram muitas histórias, mas como o caciofiore é o carro chefe da casa, lhes contamos esta.

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Il Cacio Fiore é um queijo muito antigo, peculiar e com uma história fascinante.

Conhecido e apreciado na Antiga Roma, com o passar dos séculos e a sempre crescente inovação na produção queijeira, seus traços foram se perdendo e sua produção desaparecendo. Por sorte, algumas fazendas di Campo Tosto, em Abruzzo, região próxima a Roma, retomaram a tradição pastoril do centro da Itália.

A particularidade deste queijo, que lhe dá também o nome, é de ser produzido com coalho vegetal no lugar do animal. Coalho extraído das flores do cardo selvagem (Cynara cardunculus), um parente da alcachofra, que nasce espontaneamente nas pastagens de Abruzzo.  Il Cacio Fiore é um queijo macio e cremoso de consumo imediato. É produzido exclusivamente com leite cru, integral, proveniente de ovelhas criadas em pastagem.

Um dos queijos mais antigos e tradicionais da Itália, tem sua origem nos deslocamentos feitos pelos pastores da região de Aquila em direção a costa do Lázio. No percurso havia fartura das flores de cardo o que tornava fácil e natural sua utilização para a produção do queijo com o leite tirado na hora. O resultado é um produto de perfume rico e profundo, e sabor intenso, levemente amargo, envolvente, sem sal e com gordura equilibrada.

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Esta é a história deste extraordinário queijo, se vocês também ficaram com vontade e puderem prova-lo, I Pizzicarolli é o lugar ideal. E a simpatia é tanta que eles dizem o seguinte:

“Non si accettano prenotazioni, venite quando volete, un posticino si trova sempre!

Em nossa tradução livre: “Não aceitamos reservas, venham quando quiserem, sempre encontrarão um lugar!”

Façam uma visita, eles irão adorar: www.facebook.com/IPizzicaroli/

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