A Sicília e sua deliciosa comida de rua.

No último post começamos a falar sobre a Sicília, e lembramos de tantas, tantas, tantas coisas a falar, contar e degustar, que acho que vamos fazer uns mil posts sobre essa ilha encantada. A culinária italiana não só é riquíssima por região, mas também por cidade, cada uma possui um prato típico, uma especialidade, um embutido que você não vai mais achar em nenhuma outra cidade do país. E por aqui não poderia ser diferente. Vamos falar do Arancino que já é muito conhecido na Itália e fora dela também, mas também vamos falar de “pani ca meusa”, “stigghliola” e “sfincione”, coisas que nem nós havíamos sonhado que existia e que vai render um post especial só para eles…

Antes de falar de Palermo e de comida, queria chamar a atenção de vocês para a Trinácria, símbolo da Sicília há séculos, e seu nome antigamente, assim se refere à ela Homero na Odisseia e Dante na Divina Comédia.

A Trinácria é a união de outros dois símbolos, o tríscele e a medusa. O tríscele é um símbolo grego que se refere ao poder da energia em movimento e seu consequente progresso e evolução, e aqui representa a forma triangular da ilha. Foram os gregos que perceberam este formato, ao navegar ao seu redor, e associaram à ilha este símbolo. A Medusa, uma das górgonas da mitologia grega, aqui tem duas asas que se referem o passar do tempo, e duas espigas de trigo que representam a fertilidade, fator importantíssimo, já que antigamente a Sicília era o celeiro do Império Romano, produzindo quase todo o seu trigo.

sicilia 01 montagem

A comida de rua é uma invenção muita antiga, foram os povos nômades que “inventaram” essa maneira rápida e prática de consumir uma refeição. Mas os romanos aproveitaram, aperfeiçoaram e fizeram grande uso do hábito. Na época da República e do Império, a maioria da população fazia suas refeições em pé rapidamente, em lugares semi-abertos próximos às estradas. Encontramos muitas destas estruturas em Pompeia: tabernas que serviam refeições rápidas aos viajantes. As estruturas das tabernas também serviam como ponto de apoio para a população pobre local que esquentavam a própria comida, já que nem sempre se tinha fogão em casa. Conforme o mundo romano evoluiu, os nobres passaram a achar muito feio e pouco nobre este hábito tão disseminado de comer na rua. Ainda bem que hoje, em muitas cidades temos deliciosas comidas de rua, ou mesmo pratos como a porchetta que muitas vezes é servida em carrinhos de rua, como sanduíche rápido, ou mesmo no estilo fast food italiano (nem tão fast assim…).

Vamos focar na comida de rua de Palermo, que é uma cidade linda e confusa. Durante os séculos foi construída e destruída por árabes, romanos, gregos, espanhóis, que disputavam seu domínio, como falamos brevemente no post passado. A cidade é a quinta maior da Itália e foi intensamente bombardeada na Segunda Guerra Mundial. O resultado de tudo isso é uma mistura deliciosa e caótica a que se leva um tempo para se acostumar e se orientar, mas é maravilhoso passear pelas suas avenidas ou por suas pequenas ruas com roupa pendurada nos varais nas sacadas.

montagem palermo 01

Boa parte das padarias na cidade, cafeterias e mesmo barracas de rua servem o arancino, ou ”pequenas laranjas”, um bolinho de arroz com diferentes recheios. É um salgado feito por economia, com as sobras do risoto do almoço. É considerado típico da cidade de Messina, onde provavelmente foi inventado. Em Palermo e em outras cidades como Ragusa e Agrigento, se usa o nome no feminino: arancina. Conta-se por lá que a receita vem da época da dominação árabe, já que este povo tinha o costume de elaborar receitas com arroz e açafrão, além de ervas e carnes. A parte empanada foi introduzida na corte de Frederico II, imperador Romano-Germânico e rei da Sicília a partir de 1198, como forma de conservar durante mais tempo o alimento, quando fosse necessário transportá-lo, em viagem, na caça ou no trabalho no campo.

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Nas receitas tradicionais, o arroz é cozido e depois misturado com manteiga e queijo pecorino. Depois, os pastéis são moldados em forma de laranja com 7 ou 8 cm de diâmetro, colocando-se no meio uma porção do recheio desejado. Por fim, são passados por pão ralado, ficando assim prontos para serem fritos. Em Palermo, é comum usar-se açafrão para conferir uma tonalidade dourada ao arroz. O recheio tradicional do Arancini é o ragu de carne, mas existem muitas versões hoje, um dos meus preferidos são os recheados com os diversos queijos que existem por aqui.

Buon appetito!

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